quarta-feira, 14 de abril de 2010

Bravo, Diogo!

No âmbito de um clima tenso na Europa, emerge o segundo mundial de Futebol como um acto político para mostrar a força da Itália de Mussolini. Curiosamente, ou talvez não, e como o fascismo italiano e o nazismo alemão assentavam em amplas manifestações desportivas e de poder, nesta fase Itália organiza o Campeonato do Mundo de 1934 e a Alemanha os Jogos Olímpicos de Berlim de 1936.

Como «represália» pela ausência da Itália no mundial de 1930, os campeões do mundo, o Uruguai, não participaram nesta edição da prova. Foi a primeira, e única vez, que o Campeão mundial não defendeu o título conquistado.

Ao contrário do primeiro mundial, desta feita existiu uma fase de qualificação onde estavam inscritas inicialmente 32 nações. Após esta fase atingiu-se o número de 16 equipas participantes. A título de curiosidade, Portugal participou pela primeira vez na fase de qualificação, caindo aos pés da vizinha Espanha.

A Europa vingava-se das Américas em relação ao primeiro mundial e contava nesta edição com 12 participantes, cabendo às Américas 3, e a África a participação do Egipto.
No fase final do mundial o esquema passou pela disputa de Oitavos de Final, Quartos de Final, Meias Finais e Final.

Nos oitavos de Final, as equipas europeias, deram cartas. A Espanha venceu o Brasil por 3-1, a Itália esmagou os E.U.A. por 7-1 e a Argentina e o Egipto, cairam respectivamente aos pés de Suécia e Hungria.

Para muitos analistas, a Áustria, era considerada a melhor equipa da Europa. O “Wunder Team” (Equipa Maravilha), tinha escandalizado a Europa em 1933, ao ser a primeira equipa continental a sair de solo inglês, sem o sabor da derrota (3-3). No mundial de 34, os austríacos, liderados por Sindelar, iniciaram a competição com uma vitória suada sobre a França (3-2), eliminariam depois os Húngaros (2-1), chegando às meias finais para defrontar a Itália, a outra candidata ao título. Para que nada falhasse decorreu uma «recruta» de jogadores com ascendência italiana em países como Argentina, Espanha ou Uruguai, avalizada por il Duce, que não olhou a meios, para levar a sua amada Squadra Azzurra ao título mundial.
Mas antes de chegarem à Meia Final, os italianos tiveram que eliminar a Espanha, num dos jogos mais épicos da história do Futebol.
Em Campo, nessa tarde em Florença, defrontavam-se dois regimes políticos. À Itália Fascista de Mussolini, opunha-se uma Espanha Republicana, de conotações esquerdistas.
Em campo, a mais valia dos italianos, foi condicionada pela pressão das autoridades italianas, que exigiam a vitória a todo o custo e por um público fanático, sedento de vitória e glória, que fazia com que a Squadra Azzura, jogasse “sobre arames”.
Ao golo inicial dos Espanhóis, responderam os Italianos com um golo ilegal de Ferrari.
O jogo terminaria com um empate (1-1), mas ficariam para sempre, as imagens do jogo agressivo e da violência, com que a luta entre Republicanos e Fascistas, mancharam um relvado, onde seria suposto apenas se jogar futebol.

No dia seguinte, novamente na Cidade dos Médicis, os heróis italianos, voltavam a enfrentar a Fúria Espanhola, bastante debilitada pelas lesões do dia anterior.
A exibição dos ibéricos, entrou para os anais da história do Futebol. Lutando com garra e contra uma arbitragem calamitosa, sobre uma pressão incrível, nascia para o mundo la Fúria, o famoso epíteto, pelo qual ainda hoje é conhecida a selecção nacional espanhola.
Zamora, considerado ainda hoje, o maior portero que alguma vez vestiu a camisola de Espanha, defendeu tudo o que havia para defender, a excepção do golo solitário de Giuzzeppe Meazza.

Nas Meias Finais, Mussolini obrigou a Federação Italiana e desviar o jogo de Roma para Milão (Cidade histórica de onde tinha nascido o movimento fascista italiano, no início dos anos 20).
Os Austríacos, foram incapazes de travar o jogo italiano, mas acima de tudo, foram incapazes de dar a volta, a uma arbitragem escandalosa, do sueco Eklind, que como prémio foi nomeado para a final.
Estavam encontrados os finalistas. Por um lado a Itália que vencera a Áustria (1-0) e a “desconhecida” Checoslováquia que havia derrotado os alemães (3-1).
Rezam as crónicas que «estava escrito» que a Itália de Benito Mussolini teria de vencer, e assim aconteceu. Na Véspera do Jogo, o árbitro Ivan Eklind (Suécia), um admirador confesso do Duce, teve a honra de ir jantar ao Palácio do ditador, em Roma. Quem viu o jogo não esquece: A Itália, que de facto era melhor equipa, foi levada ao colo, ao seu primeiro título mundial, vencendo a Checoslováquia por 2-1, após prolongamento.

O melhor marcador da competição acabou por ser o checo Oldrich Nejedly com 5 golos. Como curiosidade podemos referir que Luís Monti foi o primeiro jogador a jogar em Selecções diferentes em finais do campeonato do mundo: pela Argentina (1930) e pela Itália (1934).

A Cena: O Mundial de 34, tal como os Jogos Olímpicos de 36, ficaram marcados pelo Fascismo. Tudo foi feito para levar a Itália ao título. Desde a alteração da data dos jogos, ao local onde se disputavam as partidas, ou mesmo os árbitros que arbitravam os jogos mais importantes.
A Itália conseguiu ainda em cima do torneio inscrever 4 argentinos e 1 uruguaio, vasculhando nos registos, jogadores com possíveis antepassados italianos.
Este mundial da vergonha teve algumas das piores arbitragens da história, sempre em jogos que participava a Itália.

A Figura: Mathias Sindelar - O Génio Judeu, o Mozart do Futebol, como era conhecido por muitos, encheu os campos italianos. Estrela maior do Áustria de Viena, Sindelar tornou-se nos anos anteriores ao Mundial, na maior estrela do futebol europeu.
No mundial, a Áustria atingiu a Meia Final, perdendo no Estádio de San Siro em Milão por 1-0. Todos os que assistiram ainda se lembram de uma enorme grande penalidade que ficou por marcar, numa falta cometida por Monti sobre Sindelar, que o árbitro resolveu não ver.
Em 1938 Sindelar já não jogou o mundial, dado que a sua amada Áustria já não existia.

Uns meses antes, após a anexação, Sindelar participou no último jogo que a Áustria efectuou, contra a selecção alemã. Nesse jogo, Sindelar e os seus colegas falharam deliberadamente várias ocasiões de golo, sendo só perto do final, que a estrela maior dos austríacos, marcou os dois golos da vitória, para profunda humilhação do Estado Maior Germânico que assistia ao encontro.
No dia 22 de Janeiro de 1939, foi encontrado morto no seu apartamento em Viena, ao lado da sua amante italiana. O relatório oficial da Gestapo, fazia constar que Sindelar tinha cometido suicídio, mas como todos sabemos, os relatórios da Gestapo deixavam muito a desejar.
Pesquisa feita pelo aluno Diogo Silva,
adepto do "Glorioso", (buuuuuuuu)

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